9 12 2009

teu olhar arrombou as entradas, assaltou minha clareza e roubou-me com a delicadeza de quem pede licença, sendo devassa.

devo agora deduzir a formula do encanto e desfazer o desgosto amargo que você deixou na minha boca?

hmmnn… não sou de antídotos.

orgulho é meu preservativo. você é feita de uma soberba que ridículariza os instintos. duvido da tua altivez egoísta que te faz mentir-se tão bem.

aqui quem me engana sou. também.

você me escancarou, obrigada. agora sinto com minhas portas escancaradas, aproveitando a transparência conquistada, já desprendida da pretensão de prever a jornada.

você me fez um bem, mas não é pra tudo e sempre que se diz amém.





aquarianas

5 12 2009

aquarianas não se traduzem
precipitam seus abismos
sem me pedir licença

aquarianas não se iludem
querem os eufemisms
e me deixam as conseqüências

aquarianas não se espalham
pertecem apenas à lua
e logo mudam de tema

aquarianas não se olham
retardam minha busca
e desenlaçam qualquer dilema

e se as escuto
misturo minha alma
a caneta falha
eu peço parada
fico mudo e surdo
ao som do seu tato
à soma dos olhares

não se demarca espaço
se estou nos ares





iá iá

29 11 2009

seu nome é líquido
como essa chuva amanhecendo domingo
que acabam de acontecer

seu nome é despejo
imprevisível
pedindo 10% de mim

lucratível
esse desejo
ficar aqui?

preciso quantificar
quanto oferecer?
quanto requerer?

como ter pulado sem noção da profundidade
e, afogado no raso,
suplico
chuvisco
mas não vou fumar até o último trago

iá iá
eu sei, eu sinto…
eu só não sei quanto é metade





360°

15 11 2009

controversos que despisto
sem negar
distinto aroma e teor

melodio como um cínico
a cantigar
instintos bons de horror

à cada passo, um rumo
o ritmo
é de desesperada felicidade

sou a medida do fundo.
explícita
em metrificada duplicidade

360º
e estou no mesmo lugar





tremzentos e dois

8 10 2009

o trem silencioso invadiu
a estação hoje à tarde
partiu, pronunciando uma frase

os trilhos esquentavam,
escutavam coisas.
o sol dourava, deturpando tudo.
gritando, o trem atingiu o muro
entretanto, calado ficou o mundo.
já soava frase o grito mudo
esmurrava a mísera esperança
passagem de ida, volta ou loucura

e a notícia ainda ecoa estúpida
pra que uma frase, se ninguém a escuta?

o vizinha espanca a filha: injusto?
ou ela merece apanhar calada?
o trem acaba com a casa ao lado
e eu finjo surdo
fico aqui paraca
um acordo tácito
e o trem segue o rumo
agora afastado
uns pedindo socorro
outros, desavisados.





A Via Láctea cabe dentro de uma dúvida

6 09 2009

Assobiou de leve ao destino, que a cumprimentou de volta. Sendo amostra, estando à mostra, como escapar? Assobiou como quem ainda aprende a assobiar, chamando pouca atenção, disfarçando por estar, às vezes, na contramão.

Areia dentro da mala.
Uma escada do outro lado do espelho
Semeia o que te falta.
Na corda bamba
Quem assobia mais alto, espanta o medo
Passo por passo, degrau por degrau,
só depois, o escorrego.

Um copo de suor e vodka. Quer me vender sua folga?





a seita -se sins

10 05 2009

Uma voz calma e delicada me deixa alerta. Ainda assim, permito-a que me tome. Invadida pelos sons que não escuto. Desespero. Sem distinguir frases, letras, pontos, pulso de forma latejante.

Como ser isso ou aquilo se por todos os lados é escuro demais pra discernir? De onde surgem as horas nas quais transpiro, em lágrimas, o desconhecido que me invade, na tentativa repelir e reanimar um corpo que não reage: repete sins.

Continua a negociação com o silêncio de forma não democrática. Me perco, afogada. Até não ser possível ouvir nada. Submersa. Troco de silêncio como quem dá pausa. Olho de relance a jornada dos anos, meses, dias, horas. Ciclos de sóis e chuvas. Só na penumbra.

Também reconheço os silêncios nos olhares de elevador sussurando-me os mesmos calendários. Sou o silêncio da pele, que não negocia resistêncicias. Sou forçada a fazê-la calar, enquanto o silêncio, intraduzível, aperta suas rédias para me usurpar.

Não me ilude com assinaturas anuláveis; apenas pactua, tornando-me imperdoável. E aceito sim.





travar

10 05 2009

é cilada
fantasiar fantasmas
cada palavra
respira, restrita
às regras da metáfora

hesitante informante
aproxima-te
encare a multidão
olhando-te sob as luzes
És um vago e aprisionado trovão
Se te jogo um osso
tu balanças o rabo, Informação?

É cilada te fantasiar
como tentar fazer palavras suarem
para transpirando, traduzir

E, para isso, elas se cansam
restauram o sentido antigo
a lógica racional do conflito
e, transpirando, transcedem o transcrito

me roubam o não possuído
e transpiro comigo
aguento mais três segundos
até três ser travei





antes que eu me contradiga

10 05 2009

pétalas de fogo
me assombram
tomando meu corpo

endividei minha alma
cultivo a terra
onde estou enterrada

sou gestação encerrada
filiaçao incerta
de mãe em mão abortada

meu disfarce de sujeição
nos jardins queimados
era eu na plantação

são disfarces cínicos
foi uma rodada
perspicaz

porque sabotar destinos
é minha jogada
mais eficaz

só quero saber
como se qualifica
quem pode morrer
e quem sai com vida

se estou condenada a ser
dona dessa eterna ferida
tenho algo a dizer
ante que vc me desminta





sua palavra, sua responsabilidade

10 05 2009

não consigo digitar o escrito
desvendar o acentuado declive
com que as letras caem para direita
soube ser tendencia para suicídio
mas quem não entendeu, explique
problema seu se não comunica sem caneta

onde tá a mensagem do que digo?
em nenhum lugar, por isso minto
até que eu defendo, contradigo
e, até mesmo, até isso.

então regulo por puro instindo
vou fazendo como for preciso
e acabo sendo só o que insisto

um sentimento que me abalo o ninho
me corrói as patas
e me faz saltar
da pscina rasa para o mar
eu tenho escamas, asas, mas nenhum vizinho

sou nas nuvens
vejo as chuvas
antes delas chegarem

apodreço de ferrugem
ficarei crua
quando me lavarem

mas palavra muda
reluzente e impermeável
ainda é nula,
mas sou eu a responsável