posto shell

21 05 2008

cansada do concreto
casada de preto e cinza
Eu, eu te espero
não quero ir mais pra cima
sabotar os mistperios
não ser somente rima

ria
lia
mas via?
quem via?
Agora, viva
em todos os sentidos
incrível
o poder de existir
não querer desistir
é estar no raso
o vôo é pra baixo
o que é queu cavo -
e se é pra mim - ?

não pisa
os escritos
nem invada
meu espírito
eu sou além do que se vê
choro o que você lê
sem entender





tranque com as chaves desse instante

16 05 2008

esse tempo é o tempo todo
esse instante é sempre agora
o momento do embora
é como a hora do imposto

retifica para ser no lugar do antes
o nunca que se desfaz
para que outro agora venha e cante
um segundo a mais

o próximo agora
ninguém controla
guarda na memória
resgata outrora
os outros agoras

me amostra a porta
onde o agora congela
antes e depois ficam na espera
entrega as chaves desse jardim
olha o tempo me dizendo sim
sem você aqui





miudeza detalhada

13 05 2008

mas quem mais escuta
a voz muda do sol
quando a gente se junta
pra nascer
sem querer?

miúda,
e a gente nasce por necessidade
e ainda tem a liberdade
de nascer de verdade
me cura da vontade
de te pertencer
porque a gente é somente mistura
que ainda vai florescer





olhares no baú

11 05 2008

olhar à distância
é diferente
de olhar de perto
não presente o queu quero?
não entende esse mistério?
é tão diferente de ohar de perto

à distância
seu olhar provoca minha alma
reencanta
feitiço estranho sem nenhuma fala
e sua proximidade também
me pergunto se você me tem
e não sei a resposta
porque você não me mostra
o que você tem?

mas será que à distância
você consegue me ver?





Laçado II

11 05 2008

soprei-me no ar
e a visão perdi
sem saber me buscar
nos ares me prendi
pra viver a essência
nesse agora liberto
não havia descoberto
qualquer presença

agora me recolho
na sublime estação abandonada
para enxergar essa alma
que não faz esforço
para ser

sentimento perigoso
se perder
as ruas do meu rosto

no espaço demarcado como meu
as janela fecehi
o trinco arranquei
procurar no escuro
meu olhar mudo
foi embriaguez

pertencer ao sentimento
ou pertencê-lo?
transcrever por extenso
é também prendê-lo

palavras
para parar trens
palavra
para chamar ninguém

palavras não são espelho
palavras são enganos
as letras por que anseio
só lembro no espanto
de sentir e logo esqueço
mas as palavra só mentem quando eu deixo





laçado

29 04 2008

sublime estação abandonada
onde me recolho
para enxergar essa alma
que não faz esforço
para viver

sentimento perigoso
se perder
nas ruas do meu rosto

pertencer
ao sentimento
ou pertencê-lo?

transcerver
por extenso
também é prendê-lo

palavras não são espelho
palavras são enganos
as letras por que anseio
só lembro no espanto
de sentir e logo esqueço
mas as palavras só mentem quando eu deixo





divida também sua crise

27 04 2008

nehuma liberdade se consente
pois a verdade de sempre
te mente não ser grade
isso à tua frente

carece de conquista até que a semente
no cárcere da mente
brote qualquer frase
verdadeiramente inocente

a utopia confessa estar diante de uma civilização
a mentira espera que consideremos invenção
e, enquanto calamos, aprovamos sua intenção
deixamo-nos à mercê das orientações
apertemos logo esses botões
que me suicidam
porque devo ser eu a mentira
uma sementeferida
pelos vasos de plástico da vida
até cimento de jarro de envolvia
pra conter a mentira
a mais simples
mas eu cresço e minha árvore explica
o qu’é ser livre

divida também sua crise





mercadoria esgotada

15 04 2008

pra todas as horas em que
eu mesmo não aturo
o som da minha voz
e tento ser mudo
na expectativa de calar ambém
o pensamento atroz
consome e corrói
o que nã vai além
de mim

pra quem eu digo sim
não me responda amém
só o horizonte pode consentir
ir-se em frente
se é longe, não sente
sendo perto… mente!
proque é preciso ensurdecer um armazém de mins





proversando

8 04 2008

www.flickr.com/deborahguarana

prosa,
prova, um instante, ser nota
e, na desilusão de esperar resposta,
prosa,
provoca meus laços de saudade
prostra teus raios de insanidade

use suas linhas e vírgulas
num bloco quadrado de códigos
pra conter o que te explica
e descaber meus propósitos

prosa,
prova, um instante, dessa cola
e, agora que a distância importa,
prosa,
proclama teus sentimentos por extenso
e prolonga um espaço meu aí dentro





insetos sonoros

2 04 2008

por que ter de optar?
quero tudo
querdo ser
contraditoriamente ser
um e outro
de mim mesmo

preso, solto
direito, esquerdo
para pertencer
à um e outro de mim mesmo