tremzentos e dois

8 10 2009

o trem silencioso invadiu
a estação hoje à tarde
partiu, pronunciando uma frase

os trilhos esquentavam,
escutavam coisas.
o sol dourava, deturpando tudo.
gritando, o trem atingiu o muro
entretanto, calado ficou o mundo.
já soava frase o grito mudo
esmurrava a mísera esperança
passagem de ida, volta ou loucura

e a notícia ainda ecoa estúpida
pra que uma frase, se ninguém a escuta?

o vizinha espanca a filha: injusto?
ou ela merece apanhar calada?
o trem acaba com a casa ao lado
e eu finjo surdo
fico aqui paraca
um acordo tácito
e o trem segue o rumo
agora afastado
uns pedindo socorro
outros, desavisados.





A Via Láctea cabe dentro de uma dúvida

6 09 2009

Assobiou de leve ao destino, que a cumprimentou de volta. Sendo amostra, estando à mostra, como escapar? Assobiou como quem ainda aprende a assobiar, chamando pouca atenção, disfarçando por estar, às vezes, na contramão.

Areia dentro da mala.
Uma escada do outro lado do espelho
Semeia o que te falta.
Na corda bamba
Quem assobia mais alto, espanta o medo
Passo por passo, degrau por degrau,
só depois, o escorrego.

Um copo de suor e vodka. Quer me vender sua folga?





a seita -se sins

10 05 2009

Uma voz calma e delicada me deixa alerta. Ainda assim, permito-a que me tome. Invadida pelos sons que não escuto. Desespero. Sem distinguir frases, letras, pontos, pulso de forma latejante.

Como ser isso ou aquilo se por todos os lados é escuro demais pra discernir? De onde surgem as horas nas quais transpiro, em lágrimas, o desconhecido que me invade, na tentativa repelir e reanimar um corpo que não reage: repete sins.

Continua a negociação com o silêncio de forma não democrática. Me perco, afogada. Até não ser possível ouvir nada. Submersa. Troco de silêncio como quem dá pausa. Olho de relance a jornada dos anos, meses, dias, horas. Ciclos de sóis e chuvas. Só na penumbra.

Também reconheço os silêncios nos olhares de elevador sussurando-me os mesmos calendários. Sou o silêncio da pele, que não negocia resistêncicias. Sou forçada a fazê-la calar, enquanto o silêncio, intraduzível, aperta suas rédias para me usurpar.

Não me ilude com assinaturas anuláveis; apenas pactua, tornando-me imperdoável. E aceito sim.





travar

10 05 2009

é cilada
fantasiar fantasmas
cada palavra
respira, restrita
às regras da metáfora

hesitante informante
aproxima-te
encare a multidão
olhando-te sob as luzes
És um vago e aprisionado trovão
Se te jogo um osso
tu balanças o rabo, Informação?

É cilada te fantasiar
como tentar fazer palavras suarem
para transpirando, traduzir

E, para isso, elas se cansam
restauram o sentido antigo
a lógica racional do conflito
e, transpirando, transcedem o transcrito

me roubam o não possuído
e transpiro comigo
aguento mais três segundos
até três ser travei





antes que eu me contradiga

10 05 2009

pétalas de fogo
me assombram
tomando meu corpo

endividei minha alma
cultivo a terra
onde estou enterrada

sou gestação encerrada
filiaçao incerta
de mãe em mão abortada

meu disfarce de sujeição
nos jardins queimados
era eu na plantação

são disfarces cínicos
foi uma rodada
perspicaz

porque sabotar destinos
é minha jogada
mais eficaz

só quero saber
como se qualifica
quem pode morrer
e quem sai com vida

se estou condenada a ser
dona dessa eterna ferida
tenho algo a dizer
ante que vc me desminta





sua palavra, sua responsabilidade

10 05 2009

não consigo digitar o escrito
desvendar o acentuado declive
com que as letras caem para direita
soube ser tendencia para suicídio
mas quem não entendeu, explique
problema seu se não comunica sem caneta

onde tá a mensagem do que digo?
em nenhum lugar, por isso minto
até que eu defendo, contradigo
e, até mesmo, até isso.

então regulo por puro instindo
vou fazendo como for preciso
e acabo sendo só o que insisto

um sentimento que me abalo o ninho
me corrói as patas
e me faz saltar
da pscina rasa para o mar
eu tenho escamas, asas, mas nenhum vizinho

sou nas nuvens
vejo as chuvas
antes delas chegarem

apodreço de ferrugem
ficarei crua
quando me lavarem

mas palavra muda
reluzente e impermeável
ainda é nula,
mas sou eu a responsável





dá trabalho querer responsabilidade

10 05 2009

caráter etéreo
pra quem vale essa verdade?
durante quanto tempo
você não é metade?

Há alguém sincero
um elemento enxergando tudo
que me entrega as chaves da catarse.
Sofro por alguns minutos
e logo mudo de personalidade
tudo junto não cabe
no mesmo segundo

O lazer, a família, as dores, saudade
Trabalho, Querer, Responsabilidade
Andar pra frente como se fosse um descarte
Canalha canastra.
Perdoem-me, cartas.

Ela nada em sua rasa pscina
muda, mas não investiga
encalha, então se fascina
afunda na pscina rasa
no abismo de não ser nada
por negar tudo
sem dizer obrigada
nem reconhecer
que é de si mesma que fala





controle é forca

10 05 2009

amordaçada
inaptidão para a vida
desprezo
moleza
descaso
preguiça

Obrigação, obrigada!

de presente, uma presença
não tão bem humorada
mas nenhuma iniciativa
mais nenhuma jornada
concordância inexata
é preciso deixar tudo às claras
estando tão nublado e frio
o tempo todo?

quero jazer nesse desgosto
de nada ter
e ser nada

se é coragem que me falta
o que está em jogo nessa rodada?
mãos cerradas
olhos tensos
não posso bater
nem dar a carta errada
situações delicadas
costumam me vencer

como meu telefone tocar
cinco vezes
e’u não encontrar
forças pra atender
ou me trocar pra sair

Não!

Compra um eu pra mim?
Que saia e faça festa?

vontade
querer
força

porque o controle é uma forca
onde sufoco
peso

como me ensinei a me enganar?
quando aprendi a desejar?

estou entregue
até que a corda cede
agora meu corpo contorce no chão
asqueroso, fede
sobreviveu um eu inerte

me acerte
que esse peito não tem coração





cercado de instinto

10 05 2009

caminho por passarelas
coredores de pedras
iimitam florestas inteiras
e seus sons

sou quem corre para trás
à procura de portas
expostas, respostas, propostas

transações inseguras
ser fora-da-lei
em terra de ninguém

criaturas expulsas
rebeliões de palavras
essa lingua é de quem?





de quem é essa língua?

10 05 2009

caminho por passarelas
coredores de pedras
iimitam florestas inteiras
e seus sons

sou quem corre para trás
à procura de portas
expostas, respostas, propostas

transações inseguras
ser fora-da-lei
em terra de ninguém

criaturas expulsas
rebeliões de palavras
essa lingua é de quem?