controversos que despisto
sem negar
distinto aroma e teor
melodio como um cínico
a cantigar
instintos bons de horror
à cada passo, um rumo
o ritmo
é de desesperada felicidade
sou a medida do fundo.
explícita
em metrificada duplicidade
controversos que despisto
sem negar
distinto aroma e teor
melodio como um cínico
a cantigar
instintos bons de horror
à cada passo, um rumo
o ritmo
é de desesperada felicidade
sou a medida do fundo.
explícita
em metrificada duplicidade
o trem silencioso invadiu
a estação hoje à tarde
partiu, pronunciando uma frase
os trilhos esquentavam,
escutavam coisas.
o sol dourava, deturpando tudo.
gritando, o trem atingiu o muro
entretanto, calado ficou o mundo.
já soava frase o grito mudo
esmurrava a mísera esperança
passagem de ida, volta ou loucura
e a notícia ainda ecoa estúpida
pra que uma frase, se ninguém a escuta?
o vizinha espanca a filha: injusto?
ou ela merece apanhar calada?
o trem acaba com a casa ao lado
e eu finjo surdo
fico aqui paraca
um acordo tácito
e o trem segue o rumo
agora afastado
uns pedindo socorro
outros, desavisados.
Assobiou de leve ao destino, que a cumprimentou de volta. Sendo amostra, estando à mostra, como escapar? Assobiou como quem ainda aprende a assobiar, chamando pouca atenção, disfarçando por estar, às vezes, na contramão.
Areia dentro da mala.
Uma escada do outro lado do espelho
Semeia o que te falta.
Na corda bamba
Quem assobia mais alto, espanta o medo
Passo por passo, degrau por degrau,
só depois, o escorrego.
Um copo de suor e vodka. Quer me vender sua folga?
Uma voz calma e delicada me deixa alerta. Ainda assim, permito-a que me tome. Invadida pelos sons que não escuto. Desespero. Sem distinguir frases, letras, pontos, pulso de forma latejante.
Como ser isso ou aquilo se por todos os lados é escuro demais pra discernir? De onde surgem as horas nas quais transpiro, em lágrimas, o desconhecido que me invade, na tentativa repelir e reanimar um corpo que não reage: repete sins.
Continua a negociação com o silêncio de forma não democrática. Me perco, afogada. Até não ser possível ouvir nada. Submersa. Troco de silêncio como quem dá pausa. Olho de relance a jornada dos anos, meses, dias, horas. Ciclos de sóis e chuvas. Só na penumbra.
Também reconheço os silêncios nos olhares de elevador sussurando-me os mesmos calendários. Sou o silêncio da pele, que não negocia resistêncicias. Sou forçada a fazê-la calar, enquanto o silêncio, intraduzível, aperta suas rédias para me usurpar.
Não me ilude com assinaturas anuláveis; apenas pactua, tornando-me imperdoável. E aceito sim.
é cilada
fantasiar fantasmas
cada palavra
respira, restrita
às regras da metáfora
hesitante informante
aproxima-te
encare a multidão
olhando-te sob as luzes
És um vago e aprisionado trovão
Se te jogo um osso
tu balanças o rabo, Informação?
É cilada te fantasiar
como tentar fazer palavras suarem
para transpirando, traduzir
E, para isso, elas se cansam
restauram o sentido antigo
a lógica racional do conflito
e, transpirando, transcedem o transcrito
me roubam o não possuído
e transpiro comigo
aguento mais três segundos
até três ser travei
pétalas de fogo
me assombram
tomando meu corpo
endividei minha alma
cultivo a terra
onde estou enterrada
sou gestação encerrada
filiaçao incerta
de mãe em mão abortada
meu disfarce de sujeição
nos jardins queimados
era eu na plantação
são disfarces cínicos
foi uma rodada
perspicaz
porque sabotar destinos
é minha jogada
mais eficaz
só quero saber
como se qualifica
quem pode morrer
e quem sai com vida
se estou condenada a ser
dona dessa eterna ferida
tenho algo a dizer
ante que vc me desminta
não consigo digitar o escrito
desvendar o acentuado declive
com que as letras caem para direita
soube ser tendencia para suicídio
mas quem não entendeu, explique
problema seu se não comunica sem caneta
onde tá a mensagem do que digo?
em nenhum lugar, por isso minto
até que eu defendo, contradigo
e, até mesmo, até isso.
então regulo por puro instindo
vou fazendo como for preciso
e acabo sendo só o que insisto
um sentimento que me abalo o ninho
me corrói as patas
e me faz saltar
da pscina rasa para o mar
eu tenho escamas, asas, mas nenhum vizinho
sou nas nuvens
vejo as chuvas
antes delas chegarem
apodreço de ferrugem
ficarei crua
quando me lavarem
mas palavra muda
reluzente e impermeável
ainda é nula,
mas sou eu a responsável
caráter etéreo
pra quem vale essa verdade?
durante quanto tempo
você não é metade?
Há alguém sincero
um elemento enxergando tudo
que me entrega as chaves da catarse.
Sofro por alguns minutos
e logo mudo de personalidade
tudo junto não cabe
no mesmo segundo
O lazer, a família, as dores, saudade
Trabalho, Querer, Responsabilidade
Andar pra frente como se fosse um descarte
Canalha canastra.
Perdoem-me, cartas.
Ela nada em sua rasa pscina
muda, mas não investiga
encalha, então se fascina
afunda na pscina rasa
no abismo de não ser nada
por negar tudo
sem dizer obrigada
nem reconhecer
que é de si mesma que fala
amordaçada
inaptidão para a vida
desprezo
moleza
descaso
preguiça
Obrigação, obrigada!
de presente, uma presença
não tão bem humorada
mas nenhuma iniciativa
mais nenhuma jornada
concordância inexata
é preciso deixar tudo às claras
estando tão nublado e frio
o tempo todo?
quero jazer nesse desgosto
de nada ter
e ser nada
se é coragem que me falta
o que está em jogo nessa rodada?
mãos cerradas
olhos tensos
não posso bater
nem dar a carta errada
situações delicadas
costumam me vencer
como meu telefone tocar
cinco vezes
e’u não encontrar
forças pra atender
ou me trocar pra sair
Não!
Compra um eu pra mim?
Que saia e faça festa?
vontade
querer
força
porque o controle é uma forca
onde sufoco
peso
como me ensinei a me enganar?
quando aprendi a desejar?
estou entregue
até que a corda cede
agora meu corpo contorce no chão
asqueroso, fede
sobreviveu um eu inerte
me acerte
que esse peito não tem coração
caminho por passarelas
coredores de pedras
iimitam florestas inteiras
e seus sons
sou quem corre para trás
à procura de portas
expostas, respostas, propostas
transações inseguras
ser fora-da-lei
em terra de ninguém
criaturas expulsas
rebeliões de palavras
essa lingua é de quem?
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