Sacada engraçada e inteligente da MTV
É essa delicadeza que me faltava e, portanto, tbm em impedia de escrever ou compartilhar qualquer pensamento que fosse. Esse vídeo tem uma sutileza tamanha. De quem descobre uma novidade, se surpreende e, então, e volta à jogar ping-pong.
Estou atrás dessa sutileza porque tudo me assusta demais no mundo.
Continuar lendoEssa coisa da espanha me fez pensar no porque a volta aos Direitos Humanos agora. Trabalhei com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), hoje uma conquista antiga, mas, na época, em 2004, o Estatuto completava a maioridade e sua aplicação ainda era falha, seus mecanismos pouco eficiente, suas metas irreais. Garantir Direitos significa mudar os homens, porque são eles quem precisam tratar-se de maneira igualitária. Querem, entretanto ter o direito à liberdade de expressão, por exemplo, e aprovam proibições à atos e falas. Punem a discriminação, sem educar para a boa convivência. Instruem-nos nas normas, sem explicá-las de maneira prática. Como funciona os quando se quebram os contratos sociais nas escolas? Professores e Pedagogos deixam muitos sair impunes, tolerando casos infantis de agressões psicológicas e físicas. as crianças não são ensinadas para a inserção no mundo, apenas entregam-lhes regras às quais exige-se que cumpram-nas. Às vezes sob pena física, a qual, desde o ECA, já estava proibida por lei. O que é a norma? Para que punir se, para aprender, é ir além e ensinar? Deve ser só desencargo de consciência da justiça, e das pessoas que a chama com letras maiúsculas e palavras difíceis, esquecendo-se do primordial.
O worldrevolutuion está sendo promovido. Significa que a nossa safra tá melhor agora. Ninguém tem tempo de protestar, debater. O dinheiro que compra a cerveja paga a quietude popular. Por isso que Lula gerou emprego, deu comida. Sabe de que ideologia desse fome zero começo a suspeitar? “Não se fala de boca cheia”. Foram duas patadas de Dilma agora. A gente vai ficar calado?

Inspirados na manifestação espanhola que vem tomando o mundo desde a segudna semana de maio, o Brasil adere hoje aos gritos por Democracia Real Já. O blog Recife Resiste está divulgando o evento A Rua é Nossa, derivada do projeto Tomma la Calle, também chamado de 15M ou A Revolução Espanhola. O protesto vai acontecer simultaneamente aqui, em São Paulo, no México, Espanha, Portugal, Grécia e mais uma cavalada de gente espalhada pelo mundo que também está insatisfeita com a ideologia política social e econômica aos quais os governos fazem a gente se submeter.
Foi em Madrid, onde a manifestação começou a ganhar o mundo. Iniciado dia 15 de maio. Sete dias depois quase mil pessoas quase 20 mil pessoas estavam acampadas em frente a
Convocação – Tomem as ruas!
O início das manifestações: 15 de maio (Puerta Del Sol de Madrid)
Depois de dois dias, ninguém parou de gritar.
Ainda que proibidos pelo governo de continuar a manifestação durante as eleições no domingo, os manifestantes ainda estavam acampados na Puerta del Sol.
Bofetadas de sinceridade. Depoimentos recolhidos durante o Quinto dia seguido de manifestações públicas
20 de maio: Véspera das eleições.
“na esperança de que isso surta realmente algum efeito na política, na sociedade e no mundo”. Os manifestantes somavam mais de 20 mil pessoas.
Grito silencioso Em respeito ao dia das eleições a organização do evento não convocou ninguém às ruas, silenciando o movimento organizado. Entretanto, por decisão individual dos que participavam do ato público, as ruas continuaram tomadas. O PP (Partido Popular) arrasou o PSOE (Partido Socialista Operário da Espanha) em todo o país nas eleições.
Mas os resultados eleitorais parecem não preocupar muito os revoltosos. “Nem sequer estou seguindo os resultados e dá no mesmo quem ganhe, porque não haverá muita diferença”, comentou um dos indignados. O 15-M continua forte por, pelo menos, mais uma semana.
Na Espanha o movimento se disseminou por Coruña, Albacete, Algeciras, Alicante, Almería, Arcos de la Frontera, Badajoz, Barcelona, Bilbao, Burgos, Cáceres, Cádiz, Castellón,Ciudad Real, Córdoba, Cuenca, Donosti, Ferrol, Figueres, Fuengirola, Granada, Guadalajara, Huelva, Jaén, Lanzarote
La Palma, León, Las Palmas de Gran Canaria, Lleida, Logroño, Lugo, Madrid, Málaga, Menorca, Mérida, Murcia, Ourense, Oviedo, Palma de Mallorca, Pamplona, Plasencia, Ponferrada, Puertollano, Salamanca, Santa Cruz de Tenerife, Santander, Santiago de Compostela, Sevilla, Soria, Tarragona, Toledo, Torrevieja, Ubrique, Valencia, Valladolid, Vigo, Vitoria – Gasteiz e Zaragoza.
Além da Espanha, em Portugal (Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Braga), Irlanda (Dublin), Holanda (Amsterdam), França, Inglaterra, México e Brasil estão aderiram ao movimento.
A crise instaurada na Europa começou em 2008, quando o PIB nacional caiu 5 pontos percentuais. A espenha chegou índices negativos de crescimento, atingindo um nível de desemprego genralizado, que atingiu o percentual de 44% entre os mais jovens.
Um comunicado publicado no perfil do facebook do movimento madrileño há quase hora já foi curtido por mais de 3 mil pessoas. O movimento se reúne hoje novamente pra tomar as praças de várias cidades em muitos países em quase todos os continentes.
Esse é também um chamado. Apareça hoje na praça do Derby às 18h. Leve alguém com você!
Todos os colegas gays que eu tive no colégio eram extremamente discriminados pela grande maioria da turma, assim como os professores. Por não saber lidar com meus desejos e pelo medo de sofrer a mesma violência eu também pratiquei homofobia. A transformação da vergonha em orgulho é um processo que dura a vida toda e só acontece com apoio de outros.
Quero saber, portanto, o que os vídeos que faziam parte do kit que promoveria o fim da homofobia nas escolas tem de tão nocivo.
ENCONTRANDO BIANCA
PROBABILIDADE
TORPEDO
“Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, a cada dois dias uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. É preciso que sejam tomadas medidas concretas urgentes para reverter esse quadro, que é uma vergonha internacional para o Brasil.
Uma forma essencial de fazer isso é através da educação. E por este motivo o kit educativo do projeto Escola Sem Homofobia foi construído exaustivamente por especialistas, com constante acompanhamento do Ministério da Educação, e com base em dados científicos. Entre estes são os resultados de diversos estudos realizados e publicados no Brasil na última década.
A pesquisa intitulada “Juventudes e Sexualidade”, realizada pela UNESCO e publicada em 2004, foi aplicada em 241 escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras. Segundo resultados da pesquisa, 39,6% dos estudantes masculinos não gostariam de ter um colega de classe homossexual, 35,2% dos pais não gostariam que seus filhos tivessem um colega de classe homossexual, e 60% dos professores afirmaram não ter conhecimento o suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de aula.
O estudo “Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas”, publicado em 2009 pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, baseada em uma amostra de 10 mil estudantes e 1.500 professores(as) do Distrito Federal, e apontou que 63,1% dos entrevistados alegaram já ter visto pessoas que são (ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito; mais da metade dos/das professores(as) afirmam já ter presenciado cenas discriminatórias contra homossexuais nas escolas; e 44,4% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter colega homossexual na sala de aula.
A pesquisa “Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar” realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e também publicada em 2009, baseou-se em uma amostra nacional de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, e revelou que 87,3% dos entrevistados têm preconceito com relação à orientação sexual e identidade de gênero.
A Fundação Perseu Abramo publicou em 2009 a pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, que indicou que 92% da população reconheceram que existe preconceito contra LGBT e que 28% reconheceram e declarou o próprio preconceito contra pessoas LGBT, percentual este cinco vezes maior que o preconceito contra negros e idosos, também identificado pela Fundação.
Estas e outras pesquisas comprovam indubitavelmente que a discriminação homofóbica existe na sociedade é tem um forte reflexo nas escolas. Eis a razão e a justificativa da elaboração do kit educativo do projeto Escola Sem Homofobia.
Com a suspensão do kit, os jovens alunos e alunas das escolas públicas do Ensino Médio ficarão privados de acesso a informação privilegiada para a formação do caráter e da consciência de cidadania de uma nova geração.
Em resposta às críticas ao kit, informamos que o material foi analisado pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça, que faz a “classificação indicativa” (a idade recomendada para assistir a um filme ou programa de televisão). Todos os vídeos do kit tiveram classificação livre, revelando inquestionavelmente as mentiras, deturpações e distorções por parte de determinados parlamentares e líderes religiosos inescrupulosos, que além de substituírem as peças do kit por outras de teor diferente com o objetivo de mobilizar a opinião pública contrária, na semana passada afirmaram que haveria cenas de sexo explícito ou de beijos lascivos nas peças audiovisuais do kit.
O kit educativo foi avaliado pelo Conselho Federal de Psicologia, pela UNESCO e pelo UNAIDS, e teve parecer favorável das três instituições. Recebeu o apoio declarado do CEDUS – Centro de Educação Sexual, da União Nacional dos Estudantes, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, e foi objeto de uma audiência pública promovida pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, cujo parecer também foi favorável. Ainda, teve uma moção de apoio aprovada pela Conferência Nacional de Educação, da qual participaram três mil delegados e delegadas representantes de todas as regiões do país, estudantes, professores e demais profissionais da área.
Ou seja, tem-se comprovado, por diversas fontes devidamente qualificadas e respeitadas, como base em informações científicas, que o material está perfeitamente adequado para o Ensino Médio, a que se destina.
Os direitos humanos são indivisíveis e universais. Isso significa que são iguais para todas as pessoas, indiscriminadamente. Os direitos humanos de um determinado segmento da sociedade não podem, jamais, virar moeda de troca nas negociações políticas. Esperamos que a suspensão do kit não tenha acontecido por este motivo e relembramos o discurso da posse da Presidenta no qual afirmou a defesa intransigente dos direitos humanos.
Esperamos que a Presidenta Dilma mantenha o diálogo com todos os setores envolvidos neste debate e que respeite o movimento social LGBT. Da mesma forma que há parlamentares contrários à igualdade de direitos da população LGBT, há 175 nesta nova legislatura que já integraram a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, e que com certeza gostariam de ter a mesma oportunidade para se manifestarem em audiência com a Presidenta, o mais brevemente possível.
A Presidenta Dilma tem assinalado que seu governo está comprometido com a efetiva garantia da cidadania plena da população LGBT, por meio das ações afirmativas de seus ministérios. Na semana passada, na ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, a ABGLT foi recebida por 12 ministérios do Governo Dilma, onde um item comum em todas as pautas foi o cumprimento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Também na semana passada, por meio de Decreto, a Presidenta convocou a 2ª Conferência Nacional LGBT. Porem, com a atitude demonstrada no dia de hoje acreditamos estar na contramão dos direitos humanos, retrocedendo nos avanços dos últimos anos. Exigimos que este governo não recue da defesa dos direitos humanos, não vacile e não sucumba diante da chantagem e do obscurantismo de uma minoria perversa de parlamentares e líderes fundamentalistas mal intencionados.
Esperamos que a Presidenta da República reconsidere sua posição de suspender o kit do projeto Escola Sem Homofobia, para restabelecer a conclusão e subsequente disponibilização do mesmo junto às escolas públicas brasileiras do ensino médio. Esperamos também que estabeleça o diálogo com técnicos e especialistas no assunto. Estamos abertos ao diálogo e esperamos que nossa disposição neste sentido seja retribuída o mais rapidamente possível, sendo recebidos em audiência pela Presidenta Dilma e pela Secretaria-Geral da Presidência da República e que a mesma reveja sua posição.”
Nota publicada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

O Estado é o mediador das relações sociais. Sua função seria a de regular as atividades dentro da sociedade. Teria como papel se interpor entre os indivíduos, controlando os conflitos não solucionados entre eles.
O que não percebemos é que, para trazer a paz, promover acordos e cumprir com as leis, o Direito assume uma posição de neutralidade que, na verdade, não existe. O Direito mistifica seu processo política justuficando-se através da cegueira da Justiça.
Essa justiça só se cumpre para quem é pobre, negro, homem e jovem. e, para eles, a cadeia é a Universidade do Crime.
A proposta da PL-122 é de que a discriminação aos homossexuais seja criminalizada da mesma maneira que a discriminação de cunho racista e religioso.
Muito se discute sobre a ampliação das formas e fôrmas de criminalização, alguns defendendo a idéia de que o ideal seria ter um Código onde minimamente o Estado interferisse na vida dos indivíduos. Ora, onde seria possível a aplicação desse ideal teórico, é o que pergunto-me diante de tanto blá-blá-clá utópico.
E venho com mais utopia responder à questão. Trata-se de imaginar um mundo educado. Uma sociedade onde as pessoas conseguem se relacionar uma-a-uma. É aí onde nós, pessoas, precisamos entrar em ação. Adianta ir ás ruas gritar? Serve de que espalhar panfletos? Porque estão dando a cara à tapa?
É preciso respeitar o preconceito alheio. Eu defendo isso e muito gente pode até me condenar e contra-argumentar. Vou respeitar, porque essa é a minha posição e isso mudou a forma como trato o mundo e o tratamento que recebo de volta. Nunca exigi respeito, porque não precisei ainda.
Um homem negro visitou a Faculdade de Direito para ir assistir à palestra e contou, durante o debate que está disponível online, que se sentiu de certa maneira discriminado pelo fato de o segurança, também negro, suspeito que também pobre, o ter abordado questionando-o a respeito de sua ligação com aquela faculdade.
Ora, sou branca, sócia de um bar em Boa Viagem, por não ter ido muito arrumada ao mesmo local, às vezes aparentar ser lésbica até no jeito de andar, percebi olhares estranhos do mesmo segurança. Pressenti algo quando o vi levantando-se da cadeira. Não esperei nenhuma abordagem. Cumprimentei-o com um boa-noite bem educado, como se eu o tivesse procurado, disse-lhe meu nome e o motivo da minha visita ao estabelecimento. Solicitei orientação sobre o local do evento ao qual me dirigia e, ao sair, o cumprimentei novamente. No segundo dia, ao chegar na faculdade, ganhei de volta um sorriso.
A perspectiva e a atitude mudam um cenário que poderia ter sido completamente diferente. Não acredito que o Estado vá conseguir regular essas relações sociais. Esses detalhes de convivência que não se configuram exatamente crimes, mas em que pode transparecer atitudes criminosas.
É preciso educar para atitudes diferentes. É preciso respeitar o preconceito alheio sem calar-se diante das atrocidades geradas pela discriminação e intolerância que ele propaga. Respeite sem permitir ser desrespeitado.
Abaixo segue alguns links do áudio gravado quinta à noite do último painel que integrou a grade de programação da Semana De Estudos Sobre Criminologia e Direitos Humanos, promovido pel Núcleo de Assessoria Jurídica Popular / Direito Nas Rua (NAJUP) que aconteceu de segunda a quinta dessa semana (23-26/05) na Faculdade de Direito do Recife, Auditório Tobias Barreto.
Fala inicial de Roberto Efrem, professor do curso de direito da UFPB e fundador do NAJUP, sobre a Pl-122, Projeto de Lei que criminaliza a homofobia.
Roberto Efrem by Déborah Guaraná
Fala inicial de Benedito Medrado, doutor em psicologia e militante do Instituto PAPAI, sobre a PL-122, Projeto de Lei que criminaliza a homofobia.
Poucos do que estavam presente no semináriopromovido hoje à noite pelo Najupe sobre a Lei Maria da Penha chegaram a receber na porta de suas casas uma visita de um policial mandado ao local por denúncia de vizinhos. Eu posso falar com um pouco de propriedade sobre o assunto. É humilhante perceber que seu caso virou de polícia, de interesse público. Hoje também estava discutindo sobre “macumba” e “magia negra” quando se falou sobre maldade e me contaram um caso do vizinho que, apesar de dar choques elétricos na vagina da mulher para ter relações sexuais com ela, foi absolvido na Justiça por vergonha, submissão e ignorância e machismo. Em seu depoimento a mulher disse ser mentira tudo o que denunciou antes a respeito do marido e não se submeteu ao exame de corpo delito. Seu vizinho, que me contou a história, falou também das marcas que a jovem tem nos pulsos, nas pernas e no pescoço, locais por onde era violentamente amarrada à cama.
Falta punição? Sim. Mas questionamos também o fato de que a punição não basta. A mestranda do curso de direito da UFPE e militante do Najupe, Manuela Abath, levantou uma polêmica consideração sobre como os movimentos sociais entregam a tutela do direito da mulher de viver num ambiente sem violência ao Estado para que o mesmo exerça a fiscalização e punição das situações onde esse direito não é respeitado através de seus mecanismos criticados pelo mesmos movimentos sociais como falhos e seletivos na aplicabilidade de seus Códigos.
Porque, então, fazer o Estado punir o agressor se o problema não é o agressor, mas a violência que a cultura machista incentiva? Cheios de referências a teóricos cujos nomes nunca ouvi falar, os alunos esquentaram a polêmica levantando questões como o Direito Penal Mínimo e salientaram a necessidade de se desinchar as cadeias pernambucanas, que estão “abrigando” atualmente mais que o dobro de sua capacidade.
Corre-se sempre o risco de teorizar demais questões muito sensíveis. Não acho que se trate de polêmica, a Lei Maria da Penha adverte sobre um crime cultural praticado por indivíduos e prevê punições, advertências, centros de reabilitação para eles. A uma lei não cabe exigir que a cultura mude. Propõe-se, com e através dela, linhas, rumos, caminhos e direções para que essa mudança aconteça. Como ela vem?
“Que alguém proponha uma solução diferente”, disse a segunda integrante da mesa, a representante do Instituto Papai e mestranda e Sociologia, Mariana Azevedo.
Eu digo: através da educação! A mulher precisa ser educada para reagir à violência de maneira não violenta, porém eficaz. A sensibilidade precisa deixar de ser uma característica feminina, assim como a violência não deve ser interpretada como algo másculo. Li no mural da Primeira Parada Gay que aconteceu na Católica no começo do mês algo interessante: “Bater em gay não faz de você mais hetero, faz você menos homem”. Não sei qual o conceito de homem ou mulher, mas bater em qualquer pessoa faz do agressor menos humano, no sentido de que ele precisa recorrer à força ao invés de usar a inteligência. As mulheres não tem muito a seu favor. Foram historicamente separadas para que cuidassem do lar. Não tem a “força” que os homens “desenvolveram” desde a época da caça e coleta. Não lhes foi permitido que se aprofundassem nos estudos.
Ano passado aluguei um apartamento na Aurora e ouvi muitos comentários. “Casou?!”, num tom de surpresa absoluta proferido por alguns conhecidos que não me viam há algum tempo foi o mais engraçado. Talvez também o mais machista. Os que não me conheciam, pela minha cara de menina, perguntavam se meus pais moravam longe, no interior. Um simples “não” não matava a curiosidade dessas pessoas. Percebi que era uma exceção simplesmente por ser uma mulher jovem morar sozinha.
Não foi porque o policial bateu na minha porta que eu decidi morar num outro lugar, mas uma série de fatores que despertaram minha consciência para o lugar da família, o ambiente privado e a educação que se constrói nesse lugar. Mulheres criam garotos violentos e machistas quando permitem número superior de concessões ao filho que à filha, nos horários estipulados de maneira diferenciada para as adolescentes e os adolescentes chegarem em casa, na idade estipulada de maneira diferente para que seja permitido aos filhos e filhas sair à noite, na escolha dos brinquedos que serão dados de presente para cada um deles.
Ladies free até meia noite também é um tipo de violência.
Se todos os movimentos que lutam por mudanças sociais (1) se esforçassem para que os investimentos em políticas sociais fossem revertidos para a aplicação de um novo modelo educacional nas escolas; (2) reivindicassem a melhoria das condições físicas das unidades publicas de ensino, aumentando sua capacidade estrutural para receber mais alunos; (3) exigissem um reconhecimento financeiro dos professores de uma maneira que estivesse refletido nos números a importância do papel fundamental que tem o educador nesse processo, (4) pensassem na erradicação das instituições privadas de ensino como um meio para agregar mais pessoas na cobrança pela qualidade na educação pública, e (5) parassem de pensar em medidas, leis, projetos e etc talvez já tivessemos andado boa parte desse longo caminho que se trilha para enxergar uma mudança na cultura.
A socialização é o “mecanismo” através do qual nos inserimos ou nos adaptamos à sociedade. Adaptar-se é ajustar-se à realidade do meio. Por se inserir subentende-se uma participação ativa na construção e mudança do significado que realidade tem em determinado meio social. É educando que nos inserimos. É aprendendo que nos adaptamos. Todos tem muito a entender e algo a explicar.
A Câmara dos Deputados aprovou última terça o projeto que altera o Código Florestal. Foram 410 votos a favor, 63 contra e uma abstenção.
Entre apoiaram a alteração no código estavam os candidatos eleitos por nós pernambucanos: Augusto Coutinho, Mendonça Filho, Raul Henry, Inocêncio Oliveira, Ana Arraes, Pastor Eurico, Cadoca, Sérgio Guerra, Pedro Eugênio, José Chaves, Luciana Santos, Wolney Queiroz, Eduardo da Fonte, Anderson Ferreira, Fernando Coelho Filho, Bruno Araújo, Jorge Corte Real, Silvio Costa, José Augusto Maia, Silvio da Costa, Gonzaga Patriota e Roberto Teixeira.
Apenas João Paulo (PT), Fernando Ferro (PT) e Paulo Rubem Santiago (PDT) representaram a parcela de pernambucanos contra a alteração do código.
Não se trata de estar do lado dos ambientalistas ou dos ruralistas, como a imprensa propõe. Devemos olhar o caso com cuidado, é o que alguns dizem. E não votar com tanta pressa, alertam outros.
Brasil: Um Planeta Faminto e a Agricultura Brasileira
Alertas para detalhes no novo código proposto
Marina Silva sobre o Novo Código Florestal
Discussão do Fórum sobre o novo Código Florestal
Fui hoje no Seminário que o Najupe tá promovendo desde segunda-feira. São dois temas por dia até quinta, um pela manhã, outro à tarde. Temas pertinentes e críticos. Criticamente atuais. Em quantos jornais você leu sobre isso? Quantos veículos comunicaram que estava acontecendo uma palestra que pretendia questionar os fundamentos das regras de noticiabilidade que comandam os jornais e sobre as quais eles fazem questão de manter sigilo? Imagine noticiar seus defeitos. Como o pesadelo de aparecer nu na frente de muitos e conhecidos.
A questão era: como comunicamo-nos quando sentimos medo?
Áudio da conversa sobre o assunto com os pesquisadores Patrícia Bandeira de Melo e Luciano Oliveira
A ideologia do medo by Déborah Guaraná
Entendi que é na comunicação que a ideologia se constrói. Assistimos aos telejornais sem lembrar que William Boner e Fátima Bernandes estão emitindo uma opinião. Claro que não necessariamente a deles, mas, via de regra, a opinião tá lá sim: a do dono do veículo. Tanto ele fala quanto eu, que estou escrevendo esse texto e emitindo minha opinião. Faço isso desde a escolha da pauta, do que vou escolher para falar, até as palavras que uso e quem menciono para creditar veracidade às minhas palavras. Odeio o recurso às aspas. A musiquinha do globo ao vivo. Tan-tan-tan-TAN-TAN-TAAN-TAAN-TAAAN-TAAAANN-TAN!
E a notícia chega… rápido, olha! é importante, ui! cuidado! tragédia!
Medo. Mão no coração e na cabeça. Absurdo! Tira o cigarro da carteira. Volta pro reporter. Mais musiquinha. Acendo o cigarro.
A tensão ganha o público e prende a audiência. O jornal é mais uma novela cotidiana que acompanha a necessidade e a exigência de quem assiste.
Porque programas como Cardinot, João Kleber e , que introduzem com sensacionalismo a questão da violência, tem tamanho índice de audiência? Imagina se os grandes mitos do medo nordestino não tivessem sido inventados? No mínimo não teríamos uma das músicas que Chico Sciense tocou com Nação Zumbi, sem a Perna Cabiluda, inventada pelo jornalista Jota Ferreira na década de 70 no Brasil.
O jornalismo vive desses ajustes e acordos entre audiência e o espetáculo noticioso que constrói fundamentado na ideologia cultural do senso comum. Já percebeu que, como o jornal precisa falar pra todo mundo, principalmente os jornais televisionados, ele fala de uma maneira bem simples? Quase deturpa os fatos, tão miúdos de realidade que ficam.
Começa pelo quando. Nada velho vai pro jornal de hoje. Depois o que. Porque precisa ter relevância e render uma boa foto/imagens pra ir pra capa. Precisa vender. Aí vem a questão de quem, pra que se possa ajustar o que vai ser dito no como foi que aconteceu.
Uma vez li num jornal daqui da minha cidade assim: “MENOR MATA ADOLESCENTE”. De cara, me espantei. Impressionei-me comigo mesma, pois na mesma hora em que li menor e adolescente estava estampado diante dos meus olhos e sensação a realidade social, econômica e histórica de cada um. Não precisava saber seus nomes e fatos.
O jornal nos tece uma aparente verdade sem costuras aparentes. É bem confortável.
Posso fazer um seguro para quando for roubada.
Mas não se faz um seguro contra ignorância. Você pode estudar a vida inteira e continuar adaptando-se à realidade sem nunca se inserir nela, nunca questioná-la. Pode viver com medo pra sempre.
Ou… pode ler um jornal diferente por dia. Quem sabe produzir suas prórpias notícias sobre o seu dia-a-dia.
Sugiro que deixem uma indicação de leitura nos comentários.
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Outras coisas/referências:
Texto de Ivan Moraes Filho, do Bodega<, sobre o assunto
(Documentário sobre a Perna Cabeluda)
http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=3600&Exib=1
(Programas como Cardinot)
http://www.band.com.br/entretenimento/tv/conteudo.asp?ID=298282
(Roda Viva – Uma agenda para o medo)