sobre o lago em que me afoguei

10 11 2007

Viajei mares distantes até chegar a mim. Fui no céu encontrar-me com as nuvens com as quais brincava, mas elas se desfizeram quando as toquei. Visitei a Lua durante um sonho bom que acabou em pesadelo quando descobri que não podia fazer dela meu escorrego.

No dia do sonho e pesadelo acordei chorando. Tinha dedos demais e memória de menos para guardar o que se passava comigo. Minha jornada frustava-me a alma, pois tudo que eu procurava sempre se afastava de mim. Eu não lembro se era criança ou adulto, sei que tudo se apresenta como uma época eterna onde nunca me fui, sempre representei-me.

Já obedeci as ordens, guardei as malas. Amarrei meu cabelo numa árvore próxima e mergulhei num lago perto dali para refredcar as idéias. De tudo que me foi contado, nada fez sentido: nem o mundo, nem os outros, nem o presente e, muito menos, qualquer passado. Até que me transformei em horizonte e não tive fim. eu, podendo agora escorregar na lua ou comer as nuvens, optei por conhecer o lago. Encontrei, nele, um pequeno espaço que separava a fantasia da realidade: o querer. Foi essa correnteza que me afogou.





velório?

10 11 2007

que mortes a gente sempre morre
ou insiste em morrê-las sem saber
plantamos árvores para que suas sombras
encubram, desencurralem… sobra vergonha

não recebo visitas em meu cemitério
minha dor não é assistida
não deixo-a passar percebida
se faço velórios ou missas, isso é misterio

sou labirinto e sou esquecido
sou cegueira vista dialogando consigo
quem pode ver a mim?

arma carregada, louco, cheio de espadas
sou minhas tantas feridas de jornada
sem que se tenha fim





mixando tempos

10 11 2007

e depois de ter ido e voltado, como definiria a vida? como nomearia todos os substantivos que dão sentido à existência e sobrevivência do que se chamar viver?

domínio não poderia ser uma forma de fugir também? de tentar entender, julgar-se sábia, senhora? dominar quem, mesmo? a vida? estar susceptível não parece ser o melhor ataque? vulnerabilidade. no espelho em que você reflete, como aparece sua face? de onde vêm os ventos que te deixam respirar?

eu? penso em como ser um pontinho melhor… num gosto de espelho, de vidro, de corte, de mágoa. do pesar que sobrevoa o clima daquela realidade de mentirinha que a gnt costuma inventar para subverter a lógica que diz que pertecemos a qualquer lugar.

Na verdade, minhas realidades e lugares se conjugam irregularmente em olhos como os meus, que adoram ver o indescritível. É como ligar para uma voz conhecida e ficar com medo do som proferido.

Desconhecer o favorito. Pecado, crime, por favor, obrigado. as luzes permanecem acessas, na vontade de ser sol nossas almas dormem quer queira em cárceres ou não o que, no dia, se lembrará da noite o quanto de uz conhece a escuridão o que de ontem pde haver no hoje o quanto de sim está contido num não

?

somos dois e muitos
mas não caminhamos de mãos dadas
destinos falidos cruzam
nossos adjuntos que,
conscientes das essências contraditárias,
tornam opostos imposição