sem reflexo

20 11 2007

 

sentar, esperando um aviso dos céus.
eu quero olhar o futuro, sem o peso do passado em minhas costas
e conversar sem te defender
talvez livrar-me, nem sei

porque eu aprendi somente a sentir
e é uma apertidão que me incomoda
um perto que, de tão inconsciente, suspeito… e vira aperto por causa desse peito triste,
por sorte, solitário;
por pouco, amável
tão pertubado
é daqueles que persistem em continuar
dentro do armário
trancadas em lugares secretos

não te conto os segredos do dia
da última semana, nem os que me importam mais
ficaria ainda sozinha
mesmo que permanceça esse som mudo de uma presença ignorada
são, na verdade, batidas na porta.
atrasadas?
um ano, talvez mais
pesadas
75 quilos e meio de fardo
todos jogados no lixo
e você quer remexer, meter, abusar-me

meus divãs viajaram
meu cigarro me traga
sou pedaços de desejo
que de tão finos, se estragam





vontades presas

20 11 2007

a grade me libertara de um querer proibido
e agora é tempo de acordar e encher o tanque
pra rodar todos os quilometros impossiveis
de serem pisados
porque foram feitos para pequenos aviões pousarem,
mas as asas estão atrofiadas
e vou correr e pular
no abismo que finda a rua
para entrar na dimensão em que, libertos,
somos tão juntos que parecemos apenas uma

apenas quando sua mão reclinar no meu ombro
quando você beijar suavemente
a chave que guardou no peito, escondida
depois de me acordar do pesadelo
meus passos serão tinta fresca
nessa xerox

e eu passo a ser uma droga que você recusa





ao lado

20 11 2007

quem mora ao lado?
quem mora ao lado perde a chave e não me olha
morre de desamores como se fossem leves
os valoriza porque chama de sinceridade
espanquemos a face da inocência
vocês não se merecem
reordena





nenhuma convivência a mais

20 11 2007

senti uma energia a menos
ao entrar por aquela porta.
um guarda-roupa vazio acusa uma ausência
partida
entre lágrimas quentes,
entre soluços contidos,
em meio a incertezas,
a despedida.

um apartamento frio te abrigará durante
o tempo.
um novo até logo,
resignificar os abraços,
abraçar enfim.
olhar nos olhos dizendo até logo
sem saber o quanto demorará

mensurar a falta
medir a ausência
calcular a dor
temer a distância
ser fragmento
despedaçado, ele ía
ou vai
ainda, pai?