sem reflexo

20 11 2007

 

sentar, esperando um aviso dos céus.
eu quero olhar o futuro, sem o peso do passado em minhas costas
e conversar sem te defender
talvez livrar-me, nem sei

porque eu aprendi somente a sentir
e é uma apertidão que me incomoda
um perto que, de tão inconsciente, suspeito… e vira aperto por causa desse peito triste,
por sorte, solitário;
por pouco, amável
tão pertubado
é daqueles que persistem em continuar
dentro do armário
trancadas em lugares secretos

não te conto os segredos do dia
da última semana, nem os que me importam mais
ficaria ainda sozinha
mesmo que permanceça esse som mudo de uma presença ignorada
são, na verdade, batidas na porta.
atrasadas?
um ano, talvez mais
pesadas
75 quilos e meio de fardo
todos jogados no lixo
e você quer remexer, meter, abusar-me

meus divãs viajaram
meu cigarro me traga
sou pedaços de desejo
que de tão finos, se estragam


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