lembranças

20 12 2007

imaginar é aperfeiçoar a realidade
recriar: pôr pontos poéticos, palavras abstratas e simbólicas
enrijecer a pele envelhecida com o canto de vitória

e o meu mundo foi esse
que enxergava bondade em rambo
através dos olhos de um socialista convicto
alguém que pensava diferente
concordando com tudo
que um projeto de gente
tentava declamar

eram sons de amor
dúvidas de criança aposentada
aprendendo a pintar

faz parte do que sou
adulta com agenda lotada
derretida nesse olhar

da minha vó e do meu avô

protegida das mordidas no balanço da rede
escutava cantigas doces
embaladas por um verbo que poucos sabem conjugar

amolegava até dormir e ter sede
pra acordar com um copo de leite
feito especialmente para me ninar

e sonhava com o impossível
era rambo, pintora, aposentada e artista
sem medo de acreditar que podia
enxergaria até o invisível
sem limites de tempo ou vida
era minha pele que enrijecia
quando meu coração partia e eu, com ele, crescia
levando comigo um pouco de vocês





desperdiçar qualquer abismo

16 12 2007

Ela não sabe o que sentir quando perde o controle, quando se perde nas interrogações subjacentes, tão inerentes – mas ela em reconhece essa condição. sua espera é expectativa. Quer ser. me?

Olha pra mim com o que a gnt tinha e não sabe onde escondeu. Que cores a ele pertencia e quantas minhas? Algumas delas morreu? Diz-me enquanto há tempo, porque na hora de correr eu preciso que você me salve. Não quero me jogar e desperdiçar qualquer abismo pra me perder em mim de novo.

quem é mesmo essa pessoa? eu e ti? ela pergnta com que olhos enxergar-se a si.





2004

8 12 2007

antigos muros e eu

minha fé é buraco negro sugador de certezas
estando eu do outro lado
sou rosto pintado à etiqueta
no escuro, faho
não há força para impedir o vento
esqueço de procurar coragem
lento, sou impulso… e me rendo

depois descubro que não existe ar

novas lágrimas invertidas tanto brilham
sendo luzes finitas
luzes frias, luzes estáticas, luzes corrompidas
iluminam sonhs impossíveis
“nada volta a ser, se tudo já foi”

decisões, mesmo quando não valem a pena os riscos
decisões, apesar dos riscos
decisões são, na verdade, outras incertezas repudiadoras de etiquetas





grito na calçada

2 12 2007

sai um sorriso só
uma voz suja
sem saber o que te fará
ficar.

desce uma lágrima
perspectiva muda
são outros olhos mlhados
a te cobrar

respostas insólitas
arco-íris no céu

diante do embruho feliz
ela prefere adivinhar o conteúdo
o castigo está por um triz
não deixe seu nome minpusculo

basta sair da calçada
desfazendo os enfeitos que pôs
em toda algema mascarada
e gritando, para trás, quando ela
- a outra lá- surtada
apropriar-se de vossas cordas vocais