poema descalço

17 07 2008

volta quando encontra
no motivo do retorno
um sapato

nao perde-se na conta
conhece cada esforço
dos centavos

por isso não arredonda
o número de esquinas
ou de calos

sabe o que lhe assombra
são sinais e sinas
sem rastros

pálidos traços de si
desfocados de sim
sem querer ir ouvir

só ecuta améns





poema curvo

17 07 2008

linhas retas não tem som
a vibração é sua própria sombra
pra escutar é preciso um dom
mergulhar sem se afogar na onda

a sombra assombra
asombra a sombra
e fica no calor
assombra… asombra…
aombra a tua dor
dá sombra pra dor
nessa onda de calor
quessa linha reta sem cor
nem em deixa ser quem sou