Arquivo da categoria: bomba

a tradução do silêncio

o silêncio não precisa de tradução. é o mesmo em todas as línguas. sua semiologia transparece no rosto que o sustenta. pertence a ele o grito das árvores, a curva dos ventos, o pulo para o abismo, o sorriso convalescente trocado entre olhares secretos.

o silêncio abriga quase todos os mistério da alma e das estrelas. sua pose de infinito cruza a fronteira que separa o sentido da ciência. é princípio, é verbo, é droga fortíssima.

ele entorpecente o espírito com sussurando nomes sem letras. sua disritmia artística de música sem compassos, vozes ou cordas pode levar à loucura ou inebriante felicidade. o desespero mais árido é silencioso, assim como o cheiro das nuvens.

o silêncio está harmonia com o que somos, indefinidos, intraduzíveis.


é segredo

Descobri meus segredos confessados a um diário escondido no guarda-roupa. Meus segredos de seis anos atrás são íntimos demais. É preciso maestrar os sentimentos para se desenvolver com a qualidade de uma orquestra onde todos os instrumentos soam em harmônica sincronia.

Sentir é um desafio. Ignorar é perigoso. Continuar lendo


Sobre a invasão dos direitos individuais pelo Estado

Muitas pessoas estão abdicando do desejo da liberdade. Há propostas que vem sendo crescentemente aceitas de troca da liberdade por segurança. Quando a sociedade aceita trocar a liberdade por segurança, ela está trocando a democracia pelo totalitarismo. Liberdade é algo insubistituível, é da essência da democracia.
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harmonia inaudível

cala-te, porque os olhos já falam demais
ressoam até os ventos, dando risadas de nosso ruídos mecânicos
impressionante a imperialidade das correntezas diante da sapiência do homo habilis:
aproveitador, vivendo como parasita ruidoso

reage, aprende, regula, consente, recalca, revela, restringe, repete, responde, refaz
assusta-se consigo
percebe-se pertencente
cala-te tbm


video game sessions

Déborah Guaraná: amor é um jogo que fode seu videogame: não tem como dar start. o pause não pega. o turbo fica louco. os estágios se misturam. só o multiplayer funciona. e o game over…

Thiago Neves Bobi: se o restart não funciona, aperta o game over
Joana Bandeira de Mello amor geek. não tem como reclamar, estilar, fazer ‘malíça’.. tem que jogar nas regras dele, nega
Deborah Guaraná a “maliça” no amor deve ser botar gaia hahahha
Ricardo Moura gaia é multipĺayer, né. ou amor livre…
Deborah Guaraná multiplayer pode ser de dois, nao é gaia…
Ricardo Moura pode ser de dois, mas pode ser de cinco, de nove… rola até uns non stops durante a noite toda
Deborah Guaraná hahahahahah jogando em rede numa lan house gigantesca o///

Maira Baracho e será que também vale a regra que o importante nem sempre é ganhar?
Tarcila Mendes Quando ganhamos ‘zera’. Joga ‘outro’, ou começa o mesmo mais uma vez. O melhor é jogar mesmo. :}
Deborah Guaraná não se ganha, eu acho. ganhar eh achar a fita e ter com quem jogar.
Maira Baracho as vezes vale a pena pegar um continue.
Deborah Guaraná depois de um game over, tem q ter muita coragem e ficha pra apostar…
Maira Baracho só não dar pra deixar de jogar por falta de coragem, guara. coragem é fundamental.
Ricardo Moura que nada, game over faz parte do jogo. respira fundo, toma uma água e vai jogar mais
Joana Bandeira de Mello coquer coisa sopra a fita, dá umas lapadas no vidjogame e reinicia. haha
Deborah Guaraná afinal, é só um jogo, né?
Maira Baracho afinal, está entre as coisas mais gostosas de viver :]
Tarcila Mendes É ‘só’ um jogo. http://www.youtube.com/watch?v=35DvaK0pdsg :}
Deborah Guaraná amor é um jogo? é só um jogo que depois de game over eu boto outro? o amor eh um tipo de jogo em que todo mundo vicia, mas não parece ter como zerar. o objetivo, no jogo do amor, é ir adiante sem querer seu fim. com cada pessoa se joga uma especialidade diferente. quando quero brincar de corrida, posso escolher entre burnout, mario kart ou need for speed. o jogo já vem pronto: é só soprar e botar. amor é um jogo de construção criativa diária, as regras e a diversão são definidas pelos limites e habilidades de quem maneja os joisticks. amor é um jogo q deixa o videogame louco.
Tarcila Mendes game over
Juliana Lins amor né jogo não, gente
Deborah Guaraná eu acho que todo relacionamento é um tipo de jogo, ju. envolve aposta, regras, habilidades, níveis, dificuldades, adversários, parceria, prêmios, presentes, pretensões.
Clarice Mendes genial
Carolina Sarmento amor é um rpg!
Maira Coraci quando o jogo fica muito evidente, é sinal que a parceria tá em baixa… jogo pra mim é um contra o outro.
Juliana Lins isso, maira!

Deborah Guaraná qual o pior chefão no lovegame?
Deborah Guaraná ficar grávida? conhecer família?
Juliana Lins o casamento? kjsdas
Joana Bandeira de Mello guara, me fudesse. se o pior chefão é o casamento e ficar grávida, tenho que ter muita habilidade com o joystick. [só tenho 8 vidas e to quase sem life, e agoraaaaaa???]
Maira Baracho eu diria que você chegou no melhor estágio joana, com frutinhos para sempre :]


Jasmim

muda de idéia como quem muda de roupa sem notar que pendurados no cabide estão seus sentimentos. veste cada possibilidade, inclusive as que guarda nas gavetas. ora prova todo o estoque, ora decide-se num instante.

punha para cada momento uma máscara diferente, incluindo entre as alternativas a sua própria, crua e sem maquiagem. escolhia, dentre elas, os seus detalhes favoritos. tecia na pele com agulha fina o sorteio do destino. acreditava que cada um carregava na cara o palhaço cínico de si. agora duvida.


ismália

não tinha como anotar, mas sonhou que não me via. ajustou-se na cadeira, lembrando os detalhes. a que se referiam tais escolhas? olhou para trás, para ver se ninguém a via também. suspirou aliviada, iludida. a noção de distinção se desequilibra quando sentimos medo ou prazer. ambos tem conotação de intimidade intensa e, às vezes, privacidade. quantos pilares do ego são feitos sob esses mantras? porções desajustadas de cimento, areia e água podem pôr um prédio abaixo.

e percebendo tudo isso, subiu todas as escada se jogou do último andar, alçando vôo. assobiou uma cantiga de ninar, enquanto tudo desmoronava. na preocupação de ter um prédio pronto, não o construiu. não me viu. não teve platéia.

não tinha papel à mesa.

por isso, com asas raras, nada fez com elas. nunca percebeu o valor de si mesma. olhava os lados, com medo. seguia em frente, por trás do sorriso amarelo. seu aprendizado era opaco de sentido. doía engolí-lo.


imobilizada

saem e dizem adeus ao cachorro, mas não à minha pessoa. tornei-me intruso, indesejado. o lar é onde o coração vive. a campanhia toca. o zelador grita: “lixo!” devo ir embora? ele insiste.

já estou no limiar sem conseguir enxergar horizonte algum.

Flickr

se tenho asas, são elas me machucam.
estou correndo para o abismo com uma fé maior que minha dor.
caso caia, desejo o mais fundo. se eu voar, agradeça à essa solidão.

desprendida.

todos os dias, quando o sol me acorda beijando meus corpos, tenho certeza que a vida acabou de começar. lembro meu nome porque vejo-o sussurado pelas plantas que moram comigo. semi-deuses, todos nós, ainda que plantados na terra. a solidez das raízes dizem o quão alto subiremos.

ainda estou correndo, suando, sofrendo, desejando. tão rápido que nem percebo que já estou voando. se fecho os olhos e respiro, já estou levitando. o desejo mais profundo está tão bem escondido que nem eu mesmo percebo o quanto me engano. tamanho esforço desnecessário.

aprendi. quer voar? se solte, esse é o segredo! voar é o esforço do vento, não das asas. o corpo não pesa mais que os pensamentos, a história que nós inventamos.

solidão é quando não se escuta nada.


sobre o lago em que me afoguei

Viajei mares distantes até chegar a mim. Fui no céu encontrar-me com as nuvens com as quais brincava, mas elas se desfizeram quando as toquei. Visitei a Lua durante um sonho bom que acabou em pesadelo quando descobri que não podia fazer dela meu escorrego.

No dia do sonho e pesadelo acordei chorando. Tinha dedos demais e memória de menos para guardar o que se passava comigo. Minha jornada frustava-me a alma, pois tudo que eu procurava sempre se afastava de mim. Eu não lembro se era criança ou adulto, sei que tudo se apresenta como uma época eterna onde nunca me fui, sempre representei-me.

Já obedeci as ordens, guardei as malas. Amarrei meu cabelo numa árvore próxima e mergulhei num lago perto dali para refredcar as idéias. De tudo que me foi contado, nada fez sentido: nem o mundo, nem os outros, nem o presente e, muito menos, qualquer passado. Até que me transformei em horizonte e não tive fim. eu, podendo agora escorregar na lua ou comer as nuvens, optei por conhecer o lago. Encontrei, nele, um pequeno espaço que separava a fantasia da realidade: o querer. Foi essa correnteza que me afogou.


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