travar

10 05 2009

é cilada
fantasiar fantasmas
cada palavra
respira, restrita
às regras da metáfora

hesitante informante
aproxima-te
encare a multidão
olhando-te sob as luzes
És um vago e aprisionado trovão
Se te jogo um osso
tu balanças o rabo, Informação?

É cilada te fantasiar
como tentar fazer palavras suarem
para transpirando, traduzir

E, para isso, elas se cansam
restauram o sentido antigo
a lógica racional do conflito
e, transpirando, transcedem o transcrito

me roubam o não possuído
e transpiro comigo
aguento mais três segundos
até três ser travei





antes que eu me contradiga

10 05 2009

pétalas de fogo
me assombram
tomando meu corpo

endividei minha alma
cultivo a terra
onde estou enterrada

sou gestação encerrada
filiaçao incerta
de mãe em mão abortada

meu disfarce de sujeição
nos jardins queimados
era eu na plantação

são disfarces cínicos
foi uma rodada
perspicaz

porque sabotar destinos
é minha jogada
mais eficaz

só quero saber
como se qualifica
quem pode morrer
e quem sai com vida

se estou condenada a ser
dona dessa eterna ferida
tenho algo a dizer
ante que vc me desminta





sua palavra, sua responsabilidade

10 05 2009

não consigo digitar o escrito
desvendar o acentuado declive
com que as letras caem para direita
soube ser tendencia para suicídio
mas quem não entendeu, explique
problema seu se não comunica sem caneta

onde tá a mensagem do que digo?
em nenhum lugar, por isso minto
até que eu defendo, contradigo
e, até mesmo, até isso.

então regulo por puro instindo
vou fazendo como for preciso
e acabo sendo só o que insisto

um sentimento que me abalo o ninho
me corrói as patas
e me faz saltar
da pscina rasa para o mar
eu tenho escamas, asas, mas nenhum vizinho

sou nas nuvens
vejo as chuvas
antes delas chegarem

apodreço de ferrugem
ficarei crua
quando me lavarem

mas palavra muda
reluzente e impermeável
ainda é nula,
mas sou eu a responsável





controle é forca

10 05 2009

amordaçada
inaptidão para a vida
desprezo
moleza
descaso
preguiça

Obrigação, obrigada!

de presente, uma presença
não tão bem humorada
mas nenhuma iniciativa
mais nenhuma jornada
concordância inexata
é preciso deixar tudo às claras
estando tão nublado e frio
o tempo todo?

quero jazer nesse desgosto
de nada ter
e ser nada

se é coragem que me falta
o que está em jogo nessa rodada?
mãos cerradas
olhos tensos
não posso bater
nem dar a carta errada
situações delicadas
costumam me vencer

como meu telefone tocar
cinco vezes
e’u não encontrar
forças pra atender
ou me trocar pra sair

Não!

Compra um eu pra mim?
Que saia e faça festa?

vontade
querer
força

porque o controle é uma forca
onde sufoco
peso

como me ensinei a me enganar?
quando aprendi a desejar?

estou entregue
até que a corda cede
agora meu corpo contorce no chão
asqueroso, fede
sobreviveu um eu inerte

me acerte
que esse peito não tem coração





cercado de instinto

10 05 2009

caminho por passarelas
coredores de pedras
iimitam florestas inteiras
e seus sons

sou quem corre para trás
à procura de portas
expostas, respostas, propostas

transações inseguras
ser fora-da-lei
em terra de ninguém

criaturas expulsas
rebeliões de palavras
essa lingua é de quem?





de quem é essa língua?

10 05 2009

caminho por passarelas
coredores de pedras
iimitam florestas inteiras
e seus sons

sou quem corre para trás
à procura de portas
expostas, respostas, propostas

transações inseguras
ser fora-da-lei
em terra de ninguém

criaturas expulsas
rebeliões de palavras
essa lingua é de quem?





abismo na pele

10 05 2009

raízes de abismo
tatuadas na pele
notas sem destino
perdidas na pele

na própria pele
perdido
assumindo
o esquecido
marcado na pele





centavos de pedra

10 05 2009

selvagem floresta de pedras
a qual olho de cima
ser cria e cristas das divisas
humanas, propaganda divina
comprar como estilo de vida
viver como mera fatia
de mercado
ser desejo de compra
amordaçado

a moda da casa
é comer de garfo
o nada no prato

súdito do gasto
de súbito, falho
sou só centavos





raízes abismo asfaltado

10 05 2009

maresia maresia
oceano plano e raso
ondas sem barulho
só os carros
asustam
as ruas imitam o mar
me incitam à eminência da fuga

só putas na rua
lacunas escuras
sanidade é calo;
sabedoria, muda,
semente jogada no asfalto

ser árvore, ser perda
toda galhos
ao redor, acerca
meu cárcere sou eu
de endereço fixo
queimo de tragar
mas trago o espírito
cinzas retalhos
me mato assisto

ser raramente barato
brasa de um baseado
precavido de sim, de som
imitação de indo, vindo

acreditar de novo que existo
é sem fim
faço sons que não escuto

me perdoa, dessa vez eu desisto
não sentir
é um defeito que encubro

eu menti
te convenço a investir
mas esses sons eu não escuto

meus barulhos são instintivos
são sim
você não está seguro?

escutar arde
arranco a raíz
de todos os males
até sangrar que não

mergulhar no sal nao me cura
suja de mim, a maresia sussura
páro no raso
diante do sargaço
minhas raízes de asfalto
me matam





ela não sabe ser eu

10 05 2009

essa prece
é o que faz
desfalecer meu corpo
inscreve
inerente parte
tão sujeita ao todo

oração passa q ser sinônimo
de nojo
dada a quantidade de mofo
que guardo
como santidade
e encalho
o barco sanidade

mas meu medo
é afogar-me em areia
na solidez
que a terra oferece

respeito
minha cauda de sereia?
o que me fiz
pra ser essa rara espécie

descama-se
encontra inúmeras peles
embaixo da lama
engana-se

não há prece, sorte ou cama
chora, cede
implora e impede
ela não sabe ser eu