a seita -se sins

10 05 2009

Uma voz calma e delicada me deixa alerta. Ainda assim, permito-a que me tome. Invadida pelos sons que não escuto. Desespero. Sem distinguir frases, letras, pontos, pulso de forma latejante.

Como ser isso ou aquilo se por todos os lados é escuro demais pra discernir? De onde surgem as horas nas quais transpiro, em lágrimas, o desconhecido que me invade, na tentativa repelir e reanimar um corpo que não reage: repete sins.

Continua a negociação com o silêncio de forma não democrática. Me perco, afogada. Até não ser possível ouvir nada. Submersa. Troco de silêncio como quem dá pausa. Olho de relance a jornada dos anos, meses, dias, horas. Ciclos de sóis e chuvas. Só na penumbra.

Também reconheço os silêncios nos olhares de elevador sussurando-me os mesmos calendários. Sou o silêncio da pele, que não negocia resistêncicias. Sou forçada a fazê-la calar, enquanto o silêncio, intraduzível, aperta suas rédias para me usurpar.

Não me ilude com assinaturas anuláveis; apenas pactua, tornando-me imperdoável. E aceito sim.






sobre o lago em que me afoguei

10 11 2007

Viajei mares distantes até chegar a mim. Fui no céu encontrar-me com as nuvens com as quais brincava, mas elas se desfizeram quando as toquei. Visitei a Lua durante um sonho bom que acabou em pesadelo quando descobri que não podia fazer dela meu escorrego.

No dia do sonho e pesadelo acordei chorando. Tinha dedos demais e memória de menos para guardar o que se passava comigo. Minha jornada frustava-me a alma, pois tudo que eu procurava sempre se afastava de mim. Eu não lembro se era criança ou adulto, sei que tudo se apresenta como uma época eterna onde nunca me fui, sempre representei-me.

Já obedeci as ordens, guardei as malas. Amarrei meu cabelo numa árvore próxima e mergulhei num lago perto dali para refredcar as idéias. De tudo que me foi contado, nada fez sentido: nem o mundo, nem os outros, nem o presente e, muito menos, qualquer passado. Até que me transformei em horizonte e não tive fim. eu, podendo agora escorregar na lua ou comer as nuvens, optei por conhecer o lago. Encontrei, nele, um pequeno espaço que separava a fantasia da realidade: o querer. Foi essa correnteza que me afogou.