imobilizada

4 12 2010

saem e dizem adeus ao cachorro, mas não à minha pessoa. tornei-me intruso, indesejado. o lar é onde o coração vive. a campanhia toca. o zelador grita: “lixo!” devo ir embora? ele insiste.

já estou no limiar sem conseguir enxergar horizonte algum.

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se tenho asas, são elas me machucam.
estou correndo para o abismo com uma fé maior que minha dor.
caso caia, desejo o mais fundo. se eu voar, agradeça à essa solidão.

desprendida.

todos os dias, quando o sol me acorda beijando meus corpos, tenho certeza que a vida acabou de começar. lembro meu nome porque vejo-o sussurado pelas plantas que moram comigo. semi-deuses, todos nós, ainda que plantados na terra. a solidez das raízes dizem o quão alto subiremos.

ainda estou correndo, suando, sofrendo, desejando. tão rápido que nem percebo que já estou voando. se fecho os olhos e respiro, já estou levitando. o desejo mais profundo está tão bem escondido que nem eu mesmo percebo o quanto me engano. tamanho esforço desnecessário.

aprendi. quer voar? se solte, esse é o segredo! voar é o esforço do vento, não das asas. o corpo não pesa mais que os pensamentos, a história que nós inventamos.

solidão é quando não se escuta nada.

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