a lógica da quase verdade

2 05 2011

E se o que é lógico, não for tão consistente quanto, em geral, deduzimos? Deparei-me com algo interessantíssimo esses dias: a Lógica Clássica, sob a qual se rege o racionalismo, é apenas uma das possibilidades de Lógicas utilizáveis pela Ciência. (Adoro essas Letras Maiúsculas tbm… significam tanto, né?) Enfim, certos conceitos da Física Clássica não se aplicam quando aplicadas outras lógicas, como a lógica que funciona na “realidade” subatômica, ou para velocidades próximas à da luz.

Mentira… Verdade… Já cansei de dizer que essas coisas não existem, mas existiria um jeito de calcular a quase verdade? Esse cara tentou: Newton da Costa. Brasileiro, fundador da lógica paraconsistente, físico, matemático e filósofo (até porque não tinha como o cara ser isso tudo e não filosofar um pouco, né?).

Seu questionamento a respeito da lógica o levou à teoria da meio verdade¹, uma coisa mais difícil de entender que teorema Gödel, que surgiu quando eu tava pesquisando sobre o post de medicina (Dr. Sergio Felipe de Oliveira, palestrando sobre a glândula pineal). Mas algo simples que poderia ter sido nomeado tolerância, como sugere esse artigo, publicado na Folha de São Paulo em 1997.

A verdade? A verdade é que quanto mais eu pesquiso, mais aprendo que as pessoas já comprovaram “cientificamente” muito do que eu já pensava por mim mesma. Muito do que a gente conversa numa mesa de bar ou que uma criança supõe, desde cedo. Em certas circunstâncias estamos certos ou apenas muito “altos”. Newton da Costa colocou isso em fórmulas, parece-me. Se observarmos o sol se levantar e se por sempre em cantos opostos da Terra, irá nos parecer que o mesmo gira em volta de nós. Ou seja, é como se a teoria de Ptolomeu fosse verdadeira. As conclusões a que chegamos podem não corresponder à realidade, no sentido científico clássico da coisa. Mas, já que é como se fosse aos olhos de tanta gente, tem que ter seu caráter de verdade admitido. Com essa simples idéia (e sua formulação matemática, vale salientar) os cientistas tão conseguindo conciliar teorias físicas incompatíveis entre si, como a mecânica clássica e a mecânica quântica, ou a cinemática newtoniana e a cinemática relativística.

Pois bem, apesar de ter ido tão longe e viajado tanto, o que me encantou nele foi esse vídeo abaixo. Ele apresentou um seminário sobre Fundamentos da Física em Curitiba, dezembro do ano passado. Sua atuação é enérgica, mesmo ele sendo um velhinho buchudo e careca. E o jeito que ele nos incentiva a viver os questionamentos de maneira rasteira, suspeitando da lógica, da matemática, áreas sobre a qual ele se diz “à vontade para falar”, é, no mínimo, inspirador.

Palestra do professor Newton da Costa sobre os Fundamentos da Física em Curitiba

E só de zoada (e sendo BEM intolerante): achei uma entrevista de 2008 que ele concedeu a um jornalzinho de Itajubá, uma cidadezinha de Minas Gerais, a um jornalista péééssimo e despreparadíssimo pra lidar com o assunto. Catei o nome do cara: Octavio Scofano. E tem tanto jornalista cometendo o mesmo pecado por aí…
Itajubá em Foco

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2 05 2011

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