1ª Parada Gay da Católica discriminada por professor e alunos

13 05 2011

Apesar do dificultoso processo de liberação do evento com os padres da Universidade Católica de Pernambuco (Católica), a Primeira Parada Gay Contra a Homofobia começou a ser anunciada última quarta-feira, 12, nas salas da Universidade. A manifestação foi idealizada pelo Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz (DAFSC) e conta com apoio do Fórum LGBT, da organização não-governamental Leões do Norte e outros movimentos sociais.

Quarta passada, quando Rafael Vasconcelos e outros dirigentes do DAFSC divulgavam a manifestação na turma de quinto período de graduação em Direito, uma série de risadas ecoou pela sala. Essa foi apenas umas das menos severas práticas homofóbicas que aconteceu durante a divulgação do evento. Episódios envolvendo discriminação a gays, lésbicas, bi e transexuais tem sido recorrentes nesta instituição de ensino.

Embora o Brasil esteja um passo a frente de muitas outras nações, por ter aprovado no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito à união estável aos homossexuais, ele ainda é um país onde se percebem muitos casos de homofobia. Nem todos, entretanto, são registrados. Na Universidade Católica, na turma do quinto período de graduação em Direito, um episódio foi registrado por puro acaso. A aluna Lia Maciel deixou o gravador na mesa do advogado e professor de Direito do Trabalho II, Amaro Clementino Pessoa, na manhã da última quarta-feira, 12, com a única intenção de ter o registro da aula gravado para que pudesse estudar posteriormente. Mal sabia a aluna que sua gravação seria uma ferramenta de denúncia de uma atitude homofobia que mobilizou 714 ouvintes e rendeu um artigo sobre Direitos Humanos visualizado até agora por mais de 800 pessoas.

Depois se ouvir a divulgação do evento pelos integrantes do DAFSC e ouvido risadas da turma, o áudio gravou uma das colegas de sala de Lia Maciel, Rafaela, tomando a palavra e questionando o objetivo da Primeira parada Gay Contra a Homofobia. No áudio, a garota confessa considerar anormal o comportamento homossexual e recrimina eventos como aquele, pois,a credita ela, serem estimulantes à prática homossexual.

Depois que os integrantes do Diretório Acadêmico saíram da sala, escuta-se o advoga e professor Amaro Clementino Pessoa tomar a palavra para levantar um debate sobre o posicionamento da aluna. Entre outras afirmações o professor falou de uma prática muito comum no interior que é o sexo com animais, chamado cientificamente de Zoofilia, uma prática que, apesar de legalizada em alguns poucos países, não é explicitamente aceita, por ser enquadrada sob as leis de abuso animal e crueldade contra os animais e, embora menos comum, de crime contra a natureza.

Comparar a homossexualidade com a prática da zoofilia dentro de uma sala de aula onde uma pessoa já havia feito declarações homofóbicas incitou risadas e revolta por parte da turma. O professor, depois de cogitar a possibilidade de alguém despertar um sentimento tão forte pelos animais, fez uma piada sobre os bichos também terem sido criados por Deus. No áudio disponibilizado na íntegra na internet escuta-se a voz do professor dizer “o olhar do animal de repente olha assim…” seguido das gargalhadas da turma.

Respeito é uma atitude vai além da não-agressão, que fique claro isso. A aluna Luciana Veras de Paiva defendeu isso de maneira linda na aula em que o episódio ocorreu. Ela explicou que as pessoas combatem as leis contra a homofobia achando que o movimento gay é contra a heterossexualidade. Para combater essa idéia aluna explicou perfeitamente que os homossexuais exigem das leis e das pessoas apenas respeito e igualdade. Heterossexuais já são respeitas e não precisam de um movimento defendendo isso.

A verdade é que as leis são feitas por homens que precisam admitir, hora ou outra, que estavam errados, que precisam mudar. Homens fazem leis e constituições para poder viver em conjunto sem maiores problemas (para possibilitar isso, em primeiro lugar) e, em segundo, para viver simplesmente. Fora da sociedade, a sociedade não sobreviveria. Seríamos somente indivíduos.

Para regular a CONvivência, fator que consideramos extremamente necessário e vital para nossa SOBREvivência, decretamos regras que se transformam em leis e vão para uma constituição, a qual dependendo do lugar deve ser seguida com risco de morte ou, em outros, sob pena severa.

Algumas dessas Constituições dizem que nós, humanos, temos direitos fundamentais a serem promovidos pelo Governo, instituição que nós bancamos financeiramente e escolhemos para representar nossos interesses, sendo liderado pela justiça. A justiça se faz com o cumprimento das regras.

É necessário perdoar-se por uma regra ou outra errada de vez em quando. Ou quando alguma prática contradiz essas garantias fundamentais. Quando algo de muito errado está acontecendo nos podemos pedir socorro às regras, seja para aplicá-las ou mudá-las.

Até a semana passada não era possível no Brasil reconhecer oficialmente o relacionamento homossexual como uma união estável. Depois de doze horas de discussão, e muitos anos de pequenas conquistas, a partir de agora configura-se o contrário.

Um artifício jurídico utilizado nesse caso foi uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que, posteriormente foi protocolada como Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn).

Quais são, entretanto, esses direitos todos?

A primeira Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão foi assinada na França, em 1789, logo após a Queda da Bastilha, em julho. Aqui no Brasil, acontecia a Inconfidência Mineira, que queria tirar os portugueses do poder e constituir em Minas Gerais, um país livre. Revoluções desta aconteceram no Brasil e America Latina inteira durante bons anos. Foi também em 1789 que os Estados Unidos declararam independência, elegeram seu primeiro presidente e promulgaram sua primeira Constituição.

Existia algo universal acontecendo? Não tinha google na época, mas o wikipedia hoje me mostra que “as teorias que defendem o universalismo dos direitos humanos se contrapõem ao relativismo cultural, esta última afirma a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um marco externo, que, neste caso, seriam os direitos humanos universais”.

Hã? Explico: É que não dá pra dizer, de fora, de outra cultura, qual o padrão mínimo para um ser humano poder viver. Tantas culturas experimentam isso de maneira diferente. Dentro da mesma sociedade, de uma mesma família, as pessoas tem personalidades e valores completamente diferentes. Umas acreditam em Deus outras em yoga.

Naquela época a burguesia (que queria libertar-se do absolutismo prometendo ideais republicanos a todos) brigando pelo poder, matou muito, inclusive a si mesma e seus ideais. As Guerras Mundiais tocaram terror nos quatro cantos do universo. Até neguinho de cabrobó tava com medo dos comunista.

Medo mexe muito conosco. Medo exterminou judeus, japoneses, mulheres, cientistas, poetas, jovens e amantes. Criamos a Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, depois de findada a Segunda Guerra Mundial, para evitar novos desastres desse tipo. Assinamos a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em dezembro de 1948, com esse intuito. Mas ainda hoje precisamos reconhecer que ódio, intolerância e preconceitos ainda nos fazem cometer maldades de vez em quando. Mas isso não nos impede de amar, tolerar, reconhecer e admitir.

Toda postura está atrelada a uma atitude. Mude.

E para incentivar essa mudança é que o Diretório Acadêmico do curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco está promovendo a Primeira Parada Gay na Universidade. O evento acontece no mesmo dia da Luta Mundial Contra a Homofobia, dia 17 de maio, às 11 horas da manhã. Na programação está previsto um debate sobre a PLC 122/ 2006 que pune a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero.

Serviço:
O que? Primeira Parada Gay Contra a Homofobia
Quando? 17 de maio, Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia
Onde? Universidade Católica de Pernambuco, Hall do Bloco G às 11 horas

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3 responses

13 05 2011
Déborah Guaraná

uma denúncia via Facebook

Carolina Sarmento: Acho válido que algum aluno de Direito do segundo período, estudando Direito Civil com o Prof. Daniel Silva e Meira, grave a aula também.
Além de ser um péssimo professor, também deu um show de homofobia, afirmando que homossexuais tinham a pomba gira ou o demônio dentro de si. Foi pior do que o Prof. Amaro, pois ele estava realmente pregando numa sala onde a faixa etária era de 18 a 20 anos de idade.
Eu tentei mobilizar, falei com a coordenação e até fiz um requerimento à pró-reitoria. Mas ficou por isso mesmo e eu nunca mais vi a cor desse papel. Tentei mobilizar a turma, mas, obviamente, ninguém fez nada.

Acho que seria interessante a idéia de reunir um grupo da católica pra que nós possamos denunciar mais casos assim. Chega dessa passividade num instituição que cobra quase mil reais de mensalidade.

13 05 2011
Chaleny Fernanda das Chagas

Olá, Déborah Guaraná e todas e todos que estão indignados com o ocorrido na católica, eu tb estou chocada, como em uma universidade pode haver pessoas tão ignorantes e arrogantes, isso dificulta a evolução humana e ameaça a boa convivência entre os agentes sociais. Sou estudante do curso de Economia da UFPE e estou aqui para prestar o meu apoio ao repúdio contra os homofóbicos.
Um forte abraço, Chaleny

18 05 2011
Leandro

Sou Gay. E agora me pergunto.
Como serei respeita se não respeito o espaço dos outros.
A UNICAP tem ideologia, hitoria e etica particular. Não gostaria que um estranho envadisse meu lar. Invadimos o lar e a moral dos que nos recebe todos os dias ofderecendo apenas um futuro melhor.

Estou confuso agora…

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