CACTOS E SOMBRINHAS: Homofobia, ignorância e mais algumas dores

14 05 2011

O blog cactos e sombrinhas publicou num artigo sobre o assunto.

Um show de ignorância, preconceito e homofobia se fez presente em uma Aula de Direito do Trabalho II na Universidade Católica de Pernambuco. Na última quarta-feira, 11 de maio, dois representantes do Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz entraram na sala para dar alguns recados e convidar os alunos para a 1ª Parada Gay Unicap. O anúncio de tal evento teve risadas, interjeições e comentários homofóbicos externados em uma sala de Aula. “Eu venho com uma 12”, disse um futuro juiz, promotor, delegado, advogado ou qualquer outra função pública de Defesa Social. “Vixe!”, exclamou enfática mais uma integrante do corpo discente.

O circo já estava armado. Entre plateia e palhaços, havia os indignados, estarrecidos e paralisados como eu. Foi traçado um paralelo entre homoafetividade e zoofilia, “levantar a bandeira” do movimento LGBT foi considerado um meio de garantir o rótulo de moderno e liberal, organizar numa Universidade um evento que tem como um de seus objetivos tornar mais alto o coro de #HomofobiaNao foi tido como um estímulo a homossexualidade. Não foram apenas alunos os protagonistas do episódio em tela, um Professor também fez parte do elenco e sugeriu que os heterossexuais também deveriam se organizar e levantar sua bandeira. O Professor parece não lembrar que não são os heterossexuais que estão sendo esfaqueados e enterrados de cabeça pra baixo por conta de um namoro não aceito pelos pais de uma das partes, são as lésbicas. O Professor esqueceu também que não são os heterossexuais que ao chegarem a uma delegacia para prestar queixa, muitas vezes recebem outra agressão, são as travestis. Não estava registrado na memória do professor que não são os heterossexuais que são agredidos pelo fato de estarem andando de mãos dadas em via pública, são os homossexuais.

Não acreditei no que estava ouvindo, duvidei do que estava vendo e minha imaginação não conseguiu alcançar o que eu ainda posso ver num futuro tão perto que já me bate à porta. Acadêmicos tão cheios de luzes, letras e livros para quê? Luzes, letras e livros para quem? Pseudoliberais e autênticos conservadores estavam em comunhão de forma sutil e rude, áspera e suave, entre o dito e o não dito homofóbico. Costumo dizer que faço parte de uma juventude “que não foge da raia a troco de nada”, mas reconheço também que parte dessa mesma juventude me envergonha por ter um pé (há quem tenha os dois) em preconceitos ancestrais. Confesso que me juntei ao time de Elis: também é minha a dor de perceber que “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

vale a pena entrar no link e checar os comentários do pessoal

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