Um convite sincero

16 05 2011

Eu estudei na Universidade Catolica de Pernambuco. Tive alguns desentendimentos com alguns professores, a maioria deles não envolviam minha sexualidade, apesar de um ou outro transparecer um leve incomodo em relação a isso.

Uma vez estava na rua quando um idiota acompanhado por amigos igualmente imbecis ocupando uma caminhonete de grande porte, todos bêbados, impediram minha namorada de fechar a porta do carro que eu dirigia. A raiva foi tanta que hoje em dia o episódio parece um sonho, tão distorcida que a realidade ficou.

Com um amigo meu, Raoni Assis, aconteceu parecido. Passeando pela av Beira Rio foi quase acertado por uma long neck atirada em sua direção por outros idiotas bêbados diringo um Pajero que reclamavam da sua camisa do PT.

Houve uma época que ser comunista era ser pra frentex e ser capitalista era ser quadradão. O movimento estudantil agitava com panfletos, a Igreja, pra variar, defendia a instituição familiar e o governo se retorcia na mão do exército. Anos depois já elegemos três mandados do partido que liderava isso a cujos ideais tanto fizemos oposição, contra nome de que torturamos e matamos.

Fico muito feliz de termos chegado nesse nível de entendimento sobre o movimento que os homossexuais fazem na sociedade. Isso mostra que o próximo passo está muito próximo. O passo em que se reconhece a legitimidade e onde encontramo-nos com o respeito e reconhecimento.

O que temos de fazer pra chegar nele? Mínima idéia. Preciso perguntar a Lula.

Eu vou confessar uma coisa: nunca participei de uma parada gay. E tiveram muitas por aqui: Beijaço no Mustang, no Marola… Sempre que um bar expulsava alguém, o pessoal ía se beijar na frente dele. Até Igreja entrou na história.

Eu acho isso muito agressivo. Agressão não leva a lugar nenhum. Não vejo motivo para fazer luta através do movimetno gay, nem acho que deveríamos partir para brigas! Mas eu entendo, apóio e participo desses eventos: porque eu sei que já saiu gente machucada demais pela História.

No meu terceiro ano, toda vez que George entrava na sala, a galera do fundão repetia o nome dele algumas vezes. Cada dia num ritmo diferente e com uma brincadeira nova. Ele era o veado novato da sala. Pra evitar, às vezes ele não saia da sala no recreio.

Fico feliz por ele tenha voltado pro colégio todos os dias e ter aceitado sentar-se no lugar próximo ao meu que ofereci a ele.

Se não fosse por essa imagem e pelo amor simplesmente, eu não estaria aqui, escrevendo esse texto. Amar é sempre um desafio. É preciso aprender a amar e a tolerar hoje em dia.

Serviço:
O que? Primeira Parada Gay Contra a Homofobia
Quando? 17 de maio, Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia
Onde? Universidade Católica de Pernambuco, Hall do Bloco G às 11 horas

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2 responses

16 05 2011
Claudinho Santana

Belo texto Déborah, parabéns pela sua iniciativa!

16 05 2011
Madá Rodrigues

Déborah,

Lamento muito não poder estar presente nesse evento que para mim muito significa. Na verdade eu vou tentar chegar a tempo, mas não sei se isso será possível. Confesso que estou muito ansiosa para saber da reação dos presentes, alunos, professores e funcionários em geral, fico na torcida para que seja um evento de paz.

Muito legal teu blog. A gente se vê nas próximas postagens, rs.

Abraços,
Madá.

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